Batuque/Batuque Gaúcho

Batuque, religião de origem Africana (sudanesa) característica do Rio Grande do Sul e semelhante ao Candomblé da Bahia ou ao Xangô do Recife.


Os primeiros templos de batuque possivelmente foram fundados nos inícios do século XIX. Mais tarde apareceram outras formas rituais, como a Umbanda, na década de 1930, e a linha cruzada, nas décadas de 1940 e 1950. Esta última forma reúne no mesmo templo as entidades das duas outras.


“O Batuque representa a expressão mais africana do complexo afro-religioso gaúcho, pois a línguagem litúrgica é Yorubana, os símbolos utilizados são os da tradição africana, as entidades veneradas são os orixás e há uma identi¬cação as “nações” africanas.

A Umbanda representa o lado mais “brasileiro” do complexo afro-religioso, pois se trata de uma religião nascida neste país, fruto de um importante sincretismo entre catolicismo popular, espírito kardecista, concepções religiosas indígenas e africanas.

Seus rituais são celebrados em língua portuguesa e as entidades veneradas são, sobretudo, os “caboclos” (índios), “pretos- -velhos” e “bejis” (crianças), além das “falanges” africanas. Porém a Linha Cruzada, como sublinha Norton Correa, “cultua todo universo de entidades das outras duas modalidades, a eles acrescentando as ¬guras do exu e da pomba– gira” (CORREA, 1992, p.10, Apud ORO, 2008, p. 12).


O desenvolvimento do Batuque no estado gaúcho ocorreu entre os anos de 1833 – 1859 inicialmente na cidade de Rio Grande e posteriormente na cidade de Pelotas, mais tarde espalhando-se para outras regiões.


Conforme Oro (2002) há mais de uma versão para o surgimento do Batuque no Rio Grande do Sul uma que afirma ter sido o mesmo levado para esta região por uma escrava, vinda diretamente de Recife; e outra que não associa a um personagem, mas às etnias africanas que o estruturaram enquanto espaço de resistência simbólica à escravidão.


As Linhas/Nações/Lados


Durante muitos anos, diversos estudiosos passaram pelo estado realizando pesquisas sobre as casas de religião e as práticas religiosas do Rio Grande do Sul.

A quantidade de casas de religião distribui-se também entre as variadas nações, pois o Batuque, divide– se em “lados” ou “nações” sendo as principais: Oyó, Jejé, Ijexá, Cabinda, Nagô. Essas variações do Batuque expandiram-se ao chegar à cidade de Porto Alegre


Conforme Oro (2002) e Correa (2006) as nações mais conhecidas são:


• Oió/ Oyó: Cultuada na cidade de Porto Alegre, inicialmente no bairro da Azenha indo posteriormente para o bairro do Areial da Baronesa e então para o Mont Serrat (bairro gaúcho) onde se situavam as principais casas de religião.

Uma das principais características dessa nação está na ordem das rezas, onde se toca primeiro para os orixás masculinos e após para os femininos encerrando-se com as rezas de Iansã, Xangô e Oxalá, rei e rainha (Iansã e Xangô) de Oió nome da própria nação.

• Ijexá/Jexá: Nação com maior predominância de casas e fi¬lhos. Nesta nação os deuses são os orixás na qual a rainha é a orixá Oxum. A liturgia e ritualística é em Iorubá. Em Porto Alegre a predominância das casas estava nas “regiões negras”, no bairro Mont Serrat e colônia africana.


Jeje/ Jêjo: Essa nação identificada pelo rápido toque dos tambores a qual obriga o tamboreiro a apoiar o tambor entre as pernas diferente de outras nações, utilizava-se ainda o “aguidavís” ou “oguidavís” bem como o “agogô”. Outra característica é a dança Jeje, praticada na grande roda (gira) onde todos executam a mesma coreografia.


• Nagô: Hoje essa forma religiosa está praticamente extinta, outrora, foi considerada a origem do culto no Rio Grande do Sul, bem como pode ser considerada originária de cânticos de outras nações.
Algumas características dessa nação estão relacionadas aos números míticos de alguns orixás, Outra característica é o local de homenagem aos mortos no templo (balé), sendo que para os Nagô é na frente da casa e para os demais aos fundos.

Uma das ¬figuras mais conhecidas e marcantes dessa nação teria sido o Príncipe Custódio (Em artigo próprio falarei mais dele) o qual teve vários filhos de santo entre eles o Governador do Estado Borges de Medeiros. Apesar do Jeje estar extinto como modalidade ritual exclusiva, praticamente todas as casas ainda executam cânticos dessa nação

• Cabinda/ Cambíni ou Cambína: Trata-se de uma nação de origem Banto onde originalmente se fala Kimbundo . A iniciação religiosa começa pelo cemitério, tendo outras características particulares como o número mítico de alguns orixás e também o ritmo dos tambores o qual lembra a luta de capoeira . Ademais, os elementos rituais são iguais aos da nação Ijexá.

• Oiá/ Maçambique: Esse “lado” pouco conhecido descrito apenas por Correia (2006) o qual se baseou no relato de apenas um pai de santo onde o mesmo expõe algumas das características dessa corrente. As di¬ficuldades de “tirar” –tocar tambor – para o lado de Maçambique se dão pela falta de conhecimento dos tamboreiros já que as linhas são mais apuradas, outras características são em relação às comidas oferecidas em obrigações as quais são preparadas com muitas raízes, citou também que os Maçambiques e Oiá são mais sérios e com mais fundamentos.


Analisando os principais lados do Batuque e levando em consideração o passar dos anos, atualmente, as casas de Batuque cultuam os fundamentos “Jeje-Ijexá” uma miscigenação de fundamentos culturais, os quais também englobam elementos das culturas Cabinda, Nagô e Oió, ou seja, existe sim a mescla de alguns ritos de origem Banto e Sudanesa, porém, os elementos que mais se destacam são dos povos Iorubás.

As Linhas Cruzadas:

”Das correntes afro gaúchas surge a Linha cruzada ou Quimbanda (ORO, 2002) foi a última aparecer, desenvolveu-se no Estado em meados da década de 1950 e inicio da década de 1960, época em que começa a aparecer um grande número de sacerdotes identi-ficados com os terreiros cruzados” (LEISTNER, 2014, p.139).


Hoje a Linha Cruzada é mencionada como a corrente mais expressiva no Rio Grande do Sul, estima-se que cerca de 80% das casas de religião sejam de Linha Cruzada (ORO, 2002; 2008. Correa, 2006).


Esse aumento expressivo se dá em virtude de causas sócio econômicas, ou seja, as obrigações e os aprontes são mais acessíveis com menos exigências além de ocorrerem em menor tempo do que no Batuque e suas variantes de Nação.


A maior característica da Linha Cruzada é cultuar em seus templos o Batuque e elementos de Umbanda, no entanto, de acordo com Leistner (2014), as práticas ocorrem de forma isolada, separadas, ou seja, quando a sessão é de batuque não se pratica ritual de Umbanda e vise versa.


O batuque cultua apenas orixás e a umbanda caboclos e pretos-velhos, a linha cruzada reúne-os no mesmo templo, cultuando além deles, também os exus e suas mulheres míticas, as pombagiras” (CORREA, 1998, p. 48).


Entretanto o culto aos Exus não acontece em sessão de batuque o que na sessão de umbanda pode ocorrer, porém não tem a mesma “prioridade” como as entidades especi¬ficas da corrente.


‘’Somente após a inserção na Linha Cruzada, via sua presença tímida na Umbanda, que o culto àquelas divindades sofrerá profundas alterações. São essas mudanças que irão engendrar uma nova forma religiosa, que a partir de então será auto-referenciada como Quimbanda, com ritos e sistema de crenças próprios, bem como com uma visão de mundo e um ethos particulares.

Esse processo será favorecido, inicialmente, pelas próprias características de composição da Linha Cruzada.

Uma vez que esse arranjo de vertentes se distinguiu por um apartamento simbólico preciso das denominações agregadas (Batuque e Umbanda), é justamente a partir de uma espécie de espaço neutro compreendido entre essas duas vertentes que se desenvolverá um novo sistema religioso.

Nessa perspectiva, o que está sendo chamado neste trabalho de Quimbanda (gaúcha) surgirá como uma ressignificação da presença tímida ou dissimulada dos Exus e Pombagiras na Umbanda, a partir de uma relativa continuidade estabelecida com elementos simbólicos umbandistas e da agregação de novos signos fornecidos e infuenciados pelo Batuque.

A Quimbanda, que se desenvolverá a partir de então’’ (LEISTNER, 2014)


O surgimento da Linha Cruzada trouxe consigo algumas polêmicas entre os “mais velhos” já que algumas práticas que seriam “fundamento” estão se perdendo. Para alguns estudiosos, a Linha Cruzada seria a incorporação de elementos do Batuque e da Umbanda, tornando assim mais poderosa e resistente sua fé. No entanto, a Linha Cruzada também é considerada o lado obscuro da Umbanda, cultuando apenas Exus e Pombagiras.


O preconceito de ser o lado obscuro da Umbanda se dá pela mentalidade egoísta do ser humano o qual visto em uma situação de desespero deseja o mal de outrem, no entanto, a entidade de luz a qual está sendo solicitada não ira trabalhar em tal demanda.

Entretanto, não se pode negar a existência de casas e entidades que trabalhem em prol do que lhes for pedido, trocando seus serviços por migalhas e deixando toda a responsabilidade de seus atos para aqueles que lhe pediram

“O mal quando acontece, é sempre interpretado como consequência perversa da prática do bem”. (PRANDI, 2005, p. 85)


As Entidades :


O Batuque gaúcho cultua doze orixás, de ambos os sexos, entre eles há uma hierarquia por idade que vai do “Bará, o primeiro, a Oxalá, o último. Há duas grandes classes básicas de idade: “os jovens”, do Bará até Obá, e os “velhos” que são principalmente Oxum, a Iemanjá e o Oxalá” (CORREIA, 2006, p. 176).


Neste momento a abordagem se refere aos Orixás cultuados no Batuque sem adentrar no mérito do sincretismo religioso com as religião Católica e sem mencionar também as ‘’qualidades ou caminhos ‘’ de cada Orixá descrito, futuramente posso trazer explanações sobre o assunto, mas no momento não vejo como oportuno.

Os Orixás cultuados no Batuque são:


Bará (Esú/Exú) – é considerado o orixá mensageiro, aquele que faz a ligação entre o plano espiritual e o plano material. É quem tem a chave de tudo, o que tranca e destranca. Tem o privilegio de receber as obrigações por primeiro, nada começa sem saudar Exu(Orixá) já que também é considerado a linha de frente dos Orixás.


Ogum -é o Deus da guerra. Orixá de demanda é representado sempre impunhando sua espada. Protetor dos trabalhadores é dono de todas as ferramentas de trabalho. Senhor dos metais, domina o aço, o ferro e tudo o que neles é forjado. Irmão de Bará, também é dono dos caminhos, das estradas, dos trilhos de ferro por onde passam os trens. Protege a porta das entradas das casas e templos. É senhor dos exércitos, das armas de corte e das armas bélicas. Protetor da polícia, dos soldados, militares, ferreiros e agricultores.


Oiá/Oya – é a deusa dos ventos, também chamada de Iansã, nome recebido de seu marido Xangô que faz referências ao entardecer, a tradução é mãe do céu rosado ou mãe do entardecer. Iansã tem o domínio dos raios e tempestades. É uma mulher guerreira, radiante, linda. Deusa da espada, mas também dona das paixões. É irrequieta, autoritária, sensual, disputa pelo ser amado, temperamento muito forte, dominadora e impetuosa, dona dos movimentos. Dona dos eguns, guia dos espíritos, orixá do fogo. Como orientadora dos mortos, carrega consigo o eruexin, feito com rabo de boi ou cavalo, para impor respeito perante aos eguns.


Xangô – teria sido rei de Oió/Oyo , uma das principais cidades da cultura iorubana, é um Orixá poderoso, bravo, que se irrita facilmente. É o senhor do trovão, conhecido também como patrono da justiça.


Ibeji- seriam os Orixás crianças (São Cosme e são Damião é a sincretização com os santos católicos) protetores das crianças. É a divindade das brincadeiras e alegria. Sua regência está ligada à infância. Por serem crianças, são ligados a tudo que tem inicio ou que brota, assim como as nascentes dos rios, nascimentos dos seres humano, dos animais, das plantas e outros.


Obá -Senhora do rio Obá, na Nigéria, patrocinadora de conflitos, energia que se desenvolve nos coriscos dizem que esse poder foi lhe dado por Xangô. Guerreira, considerada até como se fosse uma Iansã velha, mais forte que muitos orixás masculinos. Na natureza, ela é a regente das enchentes, cheias dos rios, inundações, coriscos, tem ligação com energia elétrica. É poderosa, sábia, madura e realista.


Odé/Otim – Orixás da fartura, da caça e que vivem na floresta, Odé (homem) e Otim (mulher) são inseparáveis. Suas principais características são a rapidez, astúcia, sabedoria e o jeito ardiloso para faturar sua caça, regem também às lavouras, os plantios permitindo boas colheitas é o provedor da nossa alimentação. É um Orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas ligado às artes, pintura, esculturas, música, nos passos das danças e esta presente no canto dos pássaros e das cigarras.


Ossanha/Osaim- é o Orixá das plantas medicinais e litúrgicas. É fundamental sua importância porque detém o reino e poder das plantas e folhas, matérias-primas do mieró, imprescindível nos rituais e obrigações de cabeça e assentamento de todos Orixás. É Ossanha quem detém o segredo de todas as folhas, e assim a cura de todas as doenças. Também a ele pertencem os ossos, nervos e músculos.

As pessoas com defeitos físicos nas pernas e pés, ou que não possuem uma das pernas, quase sempre estão ligadas de alguma forma a esse Orixá, pois ele se apresenta sem uma das pernas, seja simbolicamente, sincreticamente, assim como em transe. Dança sempre com uma das pernas encolhidas como se não a possuísse.

Xapanã– também conhecido como Omolu ou Obaluaiê é o Orixá regente das pestes, das moléstias contagiosas, tanto como doença ou cura. É o rei das profundezas da terra. Cobre o seu rosto com filá “palha da costa”, porque fica proibido de mostrar o seu rosto para os humanos devido à deformação feita pela sua doença de pele, e pelo respeito que se deve ao Orixá. Ele a Iansã são responsáveis pelos cemitérios, pois é o orixá que é o emissário de oxalá no principio ativo da morte.


Oxum- é protótipo da beleza e da meiguice, dona das cachoeiras, mãe das águas doces e também dona do ouro, seu nome de origem ao rio que corre na região nigeriana de ijexá e Ijebu, Oxum é a rainha no Ijexá.


Iemanjá – recebeu a atribuição de dona do mar, considerada a mãe dos orixás e também regente dos lares, protetora da família e dona dos pensamentos, raciocínio e inteligência. É considerada a deusa das pérolas, Iemanjá é quem ampara a cabeça dos recém nascidos.

Oxalá- é o Orixá da paz, união e fraternidade entre os povos da terra e do cosmo. Coordenador e muitas vezes responsável pelos orixás e também considerado o ¬m pací¬co da vida, é o Orixá da compreensão e da amizade, entendimento e da paz. Ele é o pai da brancura, por isso, essa cor simboliza a paz, a transparência.


Na linha cruzada ainda se cultua além dos Orixás do Batuque Preto-Velhos, Cablocos e Exús (Povo de rua) e Pomba Gira, entidades essas presentes em outros cultos de religião de matriz africana e indígena.


As comidas:


Os fundadores do batuque e seus descendentes não encontraram, obviamente, tudo o que existia na África para sua prática ritual e aproveitaram os ingredientes aqui disponíveis, seguidamente combinando-os de forma diferente, de modo a elaborar uma cozinha ritual, própria.


Da contribuição indígena, Ogum apropriou-se do churrasco (e com farinha de mandioca, tal como é servido na mesa rio-grandense), sendo que a erva-mate é oferecida aos eguns.


A ‘batata-inglesa’, popularizada pela colônia alemã, é uma das comidas preferidas de Bará, enquanto que Oxum gosta da italiana polenta.


Quanto à contribuição portuguesa, os mesmos eguns gostam de arroz (cozido com galinha).


A Bará e a Ossanhe se oferece também linguiça; e certos templos acrescentam feijões pretos crus ao opete – um bolinho de batata cozida – apreciado por Xangô.


Outros pratos aparecem também – como o Sarrabulho (um guisado de vísceras) – oferecidos a todos os orixás, cabendo aqui alguns comentários.


O primeiro é que se observa que o universo da cozinha ritual batuqueira é uma espécie de amostra da culinária de cada uma das chamadas etnias formadoras principais da população gaúcha, tal como uma radiografia desta.


Isso, de um lado, ajuda a assinalar o caráter regional do batuque diante de outras religiões congêneres, como o Candomblé; e de outro, denuncia a considerável integração de seus devotos (consequentemente, da religião que praticam) no ambiente sociocultural rio-grandense.


O segundo é que os deuses Ogum, Bará (sob o nome da Elegbara ou Legba), Oxum ou os eguns (mortos) são conhecidos e cultuados em praticamente todos os locais de influência Nagô: África, Américas.


Mas o único lugar no mundo, exatamente, onde essas entidades comem tais alimentos é no Rio Grande do Sul.

Referências

Canal BATUQUE RS : O QUE É O BATUQUE DO RIO GRANDE DO SUL? https://www.youtube.com/watch?v=aMx2zPL_S2g


Canal Retratos da Fé :Os terreiros do Batuque Gaúcho https://www.youtube.com/watch?v=skJy_tEgNz4


https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/produto-as-religioes-afro-gauchas.pdf – As-Religioes-Afro-Gauchas– Aline Speroni


CORREA, Norton Figueiredo. O Batuque do Rio Grande do Sul: Antropologia de uma religião afro-rio-grandense. 2. ed. São Luís: Editora Cultura e Arte, 2006.

LEISTNER, Rodrigo Marques. Os outsiders do além: um estudo sobre a Quimbanda e outras “feitiçarias” afrogaúchas. 2014. 388 p. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2014.


LEISTNER, Rodrigo Marques. A (re)construção da etnicidade nas religiões de matriz africana do Rio Grande do Sul. África e Africanidades, Rio de Janeiro, v. 10, p. 1-16, 2010.
ORO, Ari Pedro. As religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul. Debates do NER, Porto Alegre, ano 9, n. 13, p. 9-23, jan./jun. 2008.

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